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baixapombalina - blog sobre as polí­ticas de intervenção na Baixa Pombalina

 

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sábado, outubro 18, 2003

 

RELATOS DO TERRAMOTO DE 1755 [B]

“Lisboa está arrasada e dança-se em Paris"(...)
- Voltaire, ‘Poème sur le désastre de Lisbonne’, escrito a seguir ao dia 24 de Novembro de 1755, em Genebra.

A indiferença foi, também no passado, um dos piores males da humanidade.

 

“ O DIA DO TERRAMOTO” - DA REALIDADE À FICÇÃO…

“ Durante seis minutos intermináveis Lisboa oscilou, rasgou-se, abateu-se como um castelo de cartas. O estrondo daquele mundo que se resolvia numa avalanche de pedra abafou o clamor pavoroso, a gritaria, o desespero de quantos sofriam as horas terríveis do cataclismo.
— É o fim do mundo! É o fim do mundo!
Assombrados com o espectáculo, nem utilizaram o binóculo. As pessoas atropelavam-se para alcançarem lugar seguro. Mas o solo estalava, abria brechas medonhas de onde saíam nuvens de vapor fedorento. As paredes rachavam, os tectos abatiam, as janelas rebentavam, os vitrais estilhaçavam-se, os sinos de bronze precipitavam-se do alto dos campanários, esmagando homens, mulheres, crianças e animais que, prisioneiros do entulho, não conseguiam dispersar.
De repente levantou-se um vento furioso, que avivou as primeiras chamas. O fogo alastrou então em vários pontos da cidade, devorando tecidos, madeiras, palheiros, telhas, sobrados, numa voragem sem fim!
— O fogo está a chegar ao castelo!
— A pólvora vai rebentar!
— A colina vai explodir!
— Deus tenha piedade de nós!
— Para o Tejo! Para o Tejo! — gritou alguém. — Só à beira do rio é possível escapar.
Uma multidão aterrorizada correu para a margem. Espezinhavam-se uns aos outros na ânsia de salvarem a pele. Mas não tardaram a recuar espavoridos. As águas erguiam-se em fúria. Violentos remoinhos sugavam barcos pequenos e grandes arremessando-os de encontro ao cais, onde se despedaçavam.
Depois, um sorvedouro do inferno inverteu o movimento das águas e o rio quase desapareceu, deixando a descoberto um fundo de lodo onde se debatiam peixe e irrompiam jactos de enxofre por entre lama viscosa, a borbulhar.
Durante alguns instantes ninguém se moveu, tal era o horror que sentiam. E a pausa seria fatal! Uma onda gigante crescia do fundo do oceano. Enorme, escura, enrolou-se no ar e abateu-se sobre a cidade com um fragor inacreditável. Rolando sobre si mesma, arrastou consigo num torvelinho alucinante tudo o que encontrou à passagem.”

Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, O Dia do Terramoto, Editorial Caminho, Colecção “viagens no Tempo”, n.º 7.


 

RELATOS DO TERRAMOTO DE 1755 [A]

Carta dum mercador inglês, residente em Lisboa à data do Terramoto, a um compatriota amigo.

“... Pode, talvez, tornar-se necessário informar-vos previamente de que a cidade de Lisboa, situada na margem norte do rio Tejo, a cerca de seis milhas do mar, assentava sobre terreno muito irregular e, também, de que as suas ruas e edifícios eram em geral extremamente irregulares. Um vale entre duas altas colinas densamente coberto de edifícios seria a descrição geral do local. O vale, que corre de norte a sul, foi sem dúvida o local da antiga cidade; no lado próximo do rio ficava o palácio do rei, com uma grande praça aberta para nascente, separado do cais principal da cidade por alguns edifícios baixos, um pequeno forte e uma muralha, e uma praia de areia muito frequentada; no outro lado vale existia outra grande praça chamada Rossio, na qual se realizavam um mercado diário e uma feira semanal: aí se situava a Inquisição, a Igreja e o Convento de S. Domingos, o hospital e outros edifícios tanto públicos como privados. As principais ruas da cidade encontravam-se entre estas duas praças e o meio da área por elas delimitada poderia considerar-se como centro daquela. No cume da colina para o lado oriental situava-se o Castelo de S. Jorge ou Lisboa, com uma plataforma espaçosa defronte, rodeado por uma muralha de parapeito coberta de canhões. E toda a colina cujas ruas e vielas eram notavelmente estreitas, estava repleta de edifícios, excepto parte do seu lado ocidental. Na colina para poente existiam muitos edifícios majestosos, particularmente o palácio dos Bragança, e, nesta parte da cidade, a generalidade das ruas era mais larga, os edifícios melhores e as paisagens mais agradáveis do que em qualquer das outras. Espalhavam-se pelas várias partes da cidade conventos espaçosos e palácios principescos da nobreza: e de igrejas e capelas havia uma quantidade inumerável; não sendo extraordinariamente belas na sua arquitectura, eram imensamente ricas em ornamentos interiores. Não me alongarei sobre as outras partes públicas e privadas daquela cidade que agora já não existe; tendo-vos dado, assim o espero, uma ideia suficiente da sua situação para o meu propósito presente."
"...Mas para voltar ao meu relato desta terrível calamidade, tenho que referir agora que aqueles que puderam observar os movimentos da Terra durante os abalos dizem que as suas ondulações eram de leste para oeste, que é o curso do rio Tejo de Lisboa para o oceano. Durante os dois abalos violentos do terramoto, o cais principal da cidade, que era novo e construído em mármore bruto de um modo extremamente sólido, pois as pedras estavam não só seguras umas às outras com ferros, mas também unidas por juntas, de forma que constituissem quase um bloco único, afundou-se todo em conjunto (embora a maré vazasse antes muitas jardas abaixo da sua base) bem debaixo de água e tão fundo que nenhuma vara conseguiu alcançar a sua parte superior. Desde então, contaram (mas com que verdade não sei dizer) que, tendo sido experimentado com um fio, se descobriu ter-se afundado cinquenta braças abaixo da superfície da água. Assim, é provável que todo o leito do rio esteja alterado, pois durante os primeiros abalos e uma hora antes do avanço da água, da maneira tão extraordinária que eu descrevi, vários barcos passando no rio foram vistos a rodopiar como num remoínho e, então, com as popas levantadas fora da água, mergulharam a pique, sem voltar a subir, pelo menos ao alcance da vista dos observadores. Vários montes de sal nas margens do rio, muitas léguas acima de Lisboa, afundaram-se no chão quase a toda a altura e assim ficaram. A terra abriu-se em bastantes locais do reino, como em Alcântara, uma légua a oeste da cidade; em Sacavém, duas léguas a nordeste; em S. Martinho, quinze léguas para noroeste; em Azeitão, três léguas para o sul; e em Setúbal, quatro léguas para sudoeste, sem mencionar locais a maior distância. Algumas destas fendas ainda permanecem abertas, outras voltaram a fechar-se, de algumas brutou água, de outras veio um vapor sulforoso e de outros proveio apenas vento.
Em relação à extensão deste terramoto e suas consequências, de momento apenas podemos dizer que foi imensamente grande. Sentiu-o todo o Portugal e a maior parte, se não todo o reino de Espanha. Chegaram navios que o sentiram no mar a 50 léguas a oeste. Diz-se que foi sentido em Cork na Irlanda; e disseram-nos que houve um avanço do mar muito considerável e irregular em Mounts-Bay, na Cornualha. Estamos impacientes por saber o que se passou em França, Itália, Barbária e nas Ilhas ocidentais, e estamos, de facto, em grande apreensão pela segurança das últimas."...

quinta-feira, outubro 16, 2003

 

MERCADO DA RIBEIRA É, ATÉ AO DIA 20, O GRANDE MERCADO DO LIVRO







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Até ao dia 20 deste mês, entre as dez horas da manhã e a meia-noite, é possível adquirir livros a 50 cêntimos no Grande Mercado do Livro [Av. 24 de Julho,antigoMercadodaRibeira].
Organizada pela Interlivro, a edição deste ano conta com a representação de mais de mil editoras.

 

DIVERTIMENTO, CULTURA E FORMAÇÃO : CiberChiado

"Ciber-Chiado, aberto desde 1997, inaugurou uma nova geração de Cafés Cibernéticos onde se concilia divertimento, cultura e formação. Instalou-se no coração do Chiado, contíguo à biblioteca do CNC, de atmosfera serena e convidativa e por cima do simpático Café No Chiado onde pode, a horas e desoras, encomendar uma bebida enquanto "navega" no ciber-espaço."
In, CNC.

 

CHIADO E BAIXA EM MOVIMENTO - CENTRO NACIONAL DE CULTURA ORGANIZA: FESTAS DO CHIADO E LISBOA POMBALINA DE 16 a 25 de Outubro







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“A Festa no Chiado continua em movimento. Muitas iniciativas terão lugar em Outubro - com o objectivo de animar a Baixa lisboeta. As galerias, as livrarias, o comércio, as associações, os clubes, os restaurantes, as juntas de freguesia, a Câmara Municipal - em suma que tudo e todos estão empenhados em tornar o Chiado e a Lisboa pombalina - do Bairro Alto ao Terreiro do Paço - uma zona de referência, com cada vez maior qualidade, com muita animação e segurança. Estamos num lugar com História - povoado pelos fantasmas hospitaleiros de Alexandre Herculado, de Almeida Garrett, de Eça de Queirós, de Antero de Quental, de José Fontana, de Fernando Pessoa, de Almada Negreiros. Mais do que um Centro de Comércio, o Chiado é como Pall Mall, como Saint Germain des Près, como Unter den Linden, como a Piazza di Spagna ou a Piazza della Signoria - um lugar com personalidade, que tem de atrair pela capacidade de inovar, pela força da tradição e da modernidade. O sino da nossa aldeia é o mesmo que animou os heróis queirozianos e a inspiração pessoana. Na Havaneza soube-se da derrota de Napoleão III, no Marrare almoçava-se o melhor bife de Lisboa, no Baltresqui havia "lunchs" desde as duas horas, na Bertrand Fontana deu a conhecer os efeitos da Comuna de Paris - segundo a Agência Havas: - "Tudo perdido, tudo a arder!", no Casino Lisbonense foram as Conferências Democráticas, no Jerónimo Martins o Azeite Herculano fez furor, no Godefroy o Artur Curvelo comprava frasquinhos de feno para a Concha, no Grémio Literário Garrett deu a conhecer as novidades românticas, Verdi poderia ter sido director do Teatro de S. Carlos, no Largo do Directório foi concebida a República, Columbano teve aqui o seu atelier, no Braganza e no Tavares reuniram-se os Vencidos da Vida, em S. Roque está sepultado o grande Francisco Suarez, Almada Negreiros proclamou o Manifesto Anti-Dantas no S. Luiz, António Sérgio, Jaime Cortesão e Raul Proença aqui formaram os grupos da Biblioteca, Vitorino Nemésio ou Aquilino Ribeiro encontravam-se na Bertrand, no Largo do Picadeiro era a Moraes e a revista "O Tempo e o Modo" na Rua dos Duques de Bragança?Bebamos à saúde do Chiado! Desta vez haverá também festa na Baixa do Porto. Garrett, Ramalho ou Eça são pontos de contacto.
De 16 a 25 de Outubro haverá muitas iniciativas - portas abertas, monumentos vivos, roteiros, encontros à esquina, gincanas culturais, galerias abertas, a feira de alfarrabistas, teatro, poesia, literatura, café literário. Venha que valerá a pena. O Chiado a Baixa Portuense e o Centro Nacional de Cultura convidam. Será muito benvindo.”
"A Associação de Valorização do Chiado conseguiu contactar os
comerciantes e combinar a abertura dos estabelecimentos até à meia-noite",

explica a coordenadora do evento, que é organizado pelo Centro Nacional de
Cultura, Teresa Ferreira Gomes.
Feira de alfarrabistas, gincanas culturais e apresentações de obras em cafés, com a presença dos autores, são alguns dos atractivos destas festas. "Conseguimos incluir as propostas das igrejas da Baixa e do Chiado pela primeira vez, porque até agora houve uma certa incompatibilidade de agenda entre as celebrações litúrgicas e data das festa", adianta Teresa Ferreira Gomes. O variado leque de iniciativas pretende "captar público dos oito aos oitenta", e "dar a conhecer aquilo que existe e que não está divulgado". Os comerciantes foram aliciados pela animação alcançada em anos anteriores. Alguns estabelecimentos comerciais farão demonstrações dos seus serviços. Quem estiver interessado poderá, por exemplo, experimentar os efeitos relaxantes das massagens corporais. Para isso, basta dirigir-se a uma tenda montada na Rua do Carmo, onde serão montadas cadeiras ergonómicas, e render-se às mãos da "brigada orgasmotron", da Corporate Massage. Um dos sócios da clínica, Bruno Castilho, explica que nesse espaço estarão "terapeutas a fazer massagens a preços simbólicos, tipo oito euros, para divulgar o trabalho da clínica que existe ali, e que está aberta até uma hora fora do normal", 22h00. Outra das opções será participar ou assistir à execução de penteados ao ar livre, na noite do dia 24, frente ao salão de cabeleireiro Gibel, na Calçada do Sacramento. "Tenho esta casa há meses e, como a minha equipa
é jovem, propus-me executar alguns penteados vanguardistas, uns cortes jovens e uma maquilhagem especial para a noite", explica a proprietária do estabelecimento, Celina Pereira. Haverá também lugar à recriação histórica: "Vou também pentear uma pessoa à moda dos anos 30, que depois passeará trajada de acordo com a época". Quanto aos preços, Celina Pereira diz que se enquadrarão "dentro do normal, porque a intenção é pôr a casa
a funcionar". "A festa pretende, acima de tudo, promover a oferta cultural e trazer público à Baixa. De mãos dadas com isso está o comércio. Daí esta parceria, que também pretende um Chiado mais alegre e com gente nas lojas", explica a organizadora da iniciativa. Está prevista mais de uma centena de iniciativas, embora ainda não exista uma programação definitiva. "A agenda 'on-line', em www. cnc.pt, está em aberto. Estamos a adequar o que podemos fazer aos meios que temos", afirma Teresa Gomes Ferreira. As Festas do Chiado e da Baixa contam com o apoio de vários mecenas e da autarquia.”
In, CNC Conheça o PROGRAMA





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quarta-feira, outubro 15, 2003

 

ESTAÇÃO DE METRO - BAIXA/CHIADO

Inauguração:
(Estação Poente): 25 de Abril de 1998
Inauguração:
(Estação Nascente): 08 de Agosto de 1998
Projecto
arquitectónico: Arq.° Siza Vieira
Intervenções
plásticas: Ângelo de Sousa







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SABIA QUE …

A ÁREA DA BAIXA POMBALINA TEVE UMA IMPORTÂNCIA BASTANTE EXPRESSIVA NA ACTIVIDADE CONSERVEIRA ROMANA NO ESTUÁRIO DO TEJO, NOMEADAMENTE, SOBRE O PAPEL PREPONDERANTE QUE A ÁREA INDUSTRIAL DE OLISIPO DESEMPENHAVA NA PRODUÇÃO REGIONAL

Lista dos núcleos já conhecidos e/ou intervencionados:

OLISIPO – CASA DOS BICOS
(Amaro, 1982; Amaro, 1983; Amaro, 1994b).
Estruturas: 5 tanques, esgoto e dois compartimentos.
Cronologia: Séculos I-III (desactivação devido à construção da muralha durante o
Baixo Império).
OLISIPO – RUA AUGUSTA (Mandarim Chinês)(inédito).
Estruturas: vários tanques, pátio.
Cronologia: O material anfórico recolhido apesar de descontextualizado, pertence maioritariamente
às produções da 2.a fase, pelo que esta unidade deverá ter laborado entre
o séc. III e o V, não havendo qualquer informação referente ao seu eventual funcionamento
durante a 1.a fase.
OLISIPO – RUA DOS CORREEIROS
(Diogo, Fernandes e Silva, 1991).
Estruturas: 1 tanque, pátio.
Cronologia: Séculos I-III d.C.; desactivados pela construção de um edifício dotado de
pavimento em mosaico.
OLISIPO – RUA DOS FANQUEIROS (Napoleão)
(Diogo, 1994; Diogo, Silva e Trindade, 1993; Diogo e Trindade, 2000).
Estruturas: 1 tanque.
Cronologia: Séculos I-V d.C.
OLISIPO – RUA DOS FANQUEIROS (N.0 51-57)(Amaro, 1994a).
Estruturas: 2 tanques.
Cronologia: Devido às características de emergência da intervenção, não foi registada
estratigrafia, não havendo assim elementos datáveis.
OLISIPO – RUA DOS DOURADORES
(Silva, 1999).
Estruturas: 2 tanques e estruturas anexas.
Cronologia: Não foi recolhido qualquer elemento uma vez que, estas estruturas, identificadas
no decurso de acompanhamento de obras de implantação de infra-estruturas,
não foram totalmente escavadas.
OLISIPO – RUA DOS DOURADORES
(Silva, 1999).
Estruturas: estruturas industriais indiscriminadas.
Cronologia: Não foi recolhido qualquer elemento uma vez que, estas estruturas, identificadas
no decurso de acompanhamento de obras de implantação de infra-estruturas,
não foram totalmente escavadas.
in,





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terça-feira, outubro 14, 2003

 

Nos libri sumus, rex noster libert est et manus nostras nos liberaverunt...


Palácio da Independência


"A norte do Largo de São Domingos encontra-se o Palácio dos Condes da Almada, edifício de reminiscências quinhentistas e seiscentistas.
Célebre pelas tradições que perpetua este palácio pertenceu aos Condes de Almada.
Foi adquirido por D. Fernando de Almada, um dos heróis da guerra de Restauração.
Era neste palácio, mais precisamente num pavilhão do jardim, que se reuniam os conjurados como objectivo de assentar a restauração de Portugal.
Na realidade este local foi palco da última reunião dos conjurados que na madrugada de 1 de Dezembro deste mesmo ano de 1640 puseram termo à usurpação espanhola.
Alguns séculos mais tarde foi aqui que se instalou o quartel-general da 1ª divisão e onde se reuniu, na noite de 3 de Outubro de 1910, o ministério do último rei português, para capitular na manhã de 5 de Outubro, aquando se dá a instauração de República.
O referido pavilhão, onde se haviam reunido os conjurados foi mandado decorar por D. Antão de Almada com azulejos alusivos aos conjurados e à restauração da independência."
[in, Lisboa.com]


 

N’ A CAPITAL DE ONTEM APPIO SOTTOMAYOR ESCREVEU UM ARTIGO NOTÁVEL SOBRE A BAIXA POMBALINA

É preciso conhecer e amar Lisboa e, particularmente a Baixa, para escrever o que está escrito no POÇO DA CIDADE [página 15 , destinada a artigos de Opinião], d’ A CAPITAL do dia 13 de Outubro.
O que era a Baixa nas primeiras décadas do século XX, como e porque se tornou naquilo que ela é hoje, o que pode e deverá ser no futuro – eis, em meu endenter, as linhas de fundo deste artigo.
“O dilema de ser ou não ser património mundial” [título do artigo] diz APPIO SOTTOMAYOR, é uma questão de justiça para a Baixa Pombalina, mas “para lá chegar há um caminho árduo e longo”; no entanto, “ se tal vier a acontecer, será sinal de que se arregaçaram as mangas, houve muito trabalho e que, como o Marquês gostaria, não esmoreceram ânimos perante as dificuldades”.

 

Na Rua da Misericórdia, Espaço Chiado, 14 - Inauguração da Exposição de Pintura de Navitrolla



Exposição de Pintura de Navitrolla
Galeria Municipal Gymnásio
Rua da Misericórdia, Espaço Chiado, 14



A exposição estará patente ao público até 18 de Dezembro, de segunda a sexta-feira, das 11 horas às 18h30, e sábados das 14 horas às 18h30. Encerra aos domingos e feriados.

 

OS PRIMEIROS TRANSPORTES - OS CHORAS, OS AMERICANOS E OS AMARELOS NA BAIXA POMBALINA

A primeira companhia de transportes da cidade de Lisboa , teve a sua sede na Praça do Município e cavalariças na rua do Crucifixo. Durante trinta anos (1835-1865) as suas carruagens percorreram as ruas da Baixa, da cidade e arredores.
Uma ida a Belém custava 120 réis, a Benfica 160 e quem fosse para Carnide teria de desembolsar 200 réis.
Em 1865 ocorreu um incêndio nas suas cavalariças, que dizimou mais de metade dos animais, e, marcou o princípio do fim desta empresa, que aliando uma gestão ruinosa aos altos preços praticados, não conseguiu sobreviver a esta catástrofe.


"Nos finais do século passado, Lisboa estava polvilhada de pequenos operadores que actuavam no ramo de transportes, e que transformavam a Baixa Pombalina, num autêntico mar de carripanas de todas as cores e feitios.

O sucesso dos americanos da Carris e o facto de apenas ser necessário o pagamento de uma taxa, para iniciar esta actividade, sem necessidade da celebração de qualquer contrato com a Câmara, contribuíram decididamente para este estado de coisas.

" O serviço era oferecido em carros sujos e desconfortáveis, puxados por um par de pilecas de aspecto doentio, e as companhias operavam numa rede limitada ao centro da cidade ou ainda onde a Carris tardava em assentar carris."


Tão grande número de carruagens num espaço tão pequeno como a baixa de Lisboa, originava frequentes acidentes e incidentes que na maior parte das vezes acabavam em pancadaria.

As pequenas companhias de transportes, além de manterem uma concorrência feroz com os americanos, degladiavam-se entre si, numa luta sem tréguas pela sobrevivência, baixando muitas vezes as tarifas até limites quase suicidas ou socorrendo-se de toda a espécie de expedientes para ganhar clientes.

" A mentalidade empresarial era tacanha e virada essencialmente para o lucro fácil e imediato sem olhar a meios, as empresas exploravam percursos comuns e de curta extensão, não ambicionavam orientar o serviço para outras áreas, de que podiam beneficiar largamente aproveitando a inexistência de americanos, e esta incapacidade em entender que os magros lucros da exploração no centro da cidade (causados por curtos percursos e agravados pela necessidade de manter tarifas baixas) só poderiam ser ultrapassadas por uma política completamente diversa da existente, viria a ser fatal para a sobrevivência dos omnibus."

Melhor estruturada, com maiores capitais e com grande influência sobre a Câmara de Lisboa, a Carris soube aproveitar o que de melhor esta situação lhe podia oferecer. E habilmente através dos diversos contratos celebrados com a Municipalidade conseguiu sempre que a situação revertesse a seu favor.

Para conseguir o seu objectivo, que era o monopólio dos transportes na cidade de Lisboa, a Carris, pelo contrato de l892 propôs-se por um lado comprar todas as empresas concorrentes, e por outro, conseguiu fazer passar uma cláusula em que "por cada carro que explorasse a indústria de viação de transportes, com a faculdade de parar na via pública para receber ou deixar passageiros" teria de pagar uma taxa de 500.000 Réis, ficando apenas isentas deste pagamento as empresas que tivessem um contrato especial com a Câmara.

Não conseguindo resistir a este imposto, pois até aí pagavam apenas entre 4.800 e 8.400 réis, consoante o número de carros e de animais utilizados, doze companhias de transportes foram de imediato absorvidas pela Carris, tornando-se accionistas desta. Desta razia ficaram de fora, o Jacinto Gonçalves, o Ripert, e o Chora. O primeiro pouco tempo depois rendeu-se, o segundo ainda resistiu até 1894 e o terceiro conseguiu bravamente resistir até à primeira guerra mundial, vindo anos depois a fundar a empresa de camionagem Eduardo Jorge.

Com o advento da tracção eléctrica já no nosso século, e depois de ter eliminado toda a concorrência, incluindo a Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa, a Carris de Ferro, com os seus simpáticos "amarelos", conseguiu finalmente a monopólio dos transportes na cidade de Lisboa, pelo qual tanto lutou, durante mais de um quarto de século."

Os «americanos»



Bilhetes de Americano



OS  "AMARELOS"


Foto cedida pelo pesquisador norte-americano Allen Morrison


Amarelo (Foto: autor não identificado)


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A BAIXA - "Livro de Bordo / Vozes, olhares, memorações " [8]

"A Rua Augusta é uma rua pedonal, calcetada com desenhos típica da “Calçada Portuguesa”. Com as suas numerosas lojas, esplanadas e cafés é a rua mais elegante da Baixa Pombalina (mandada construir pelo Marquês de Pombal após o terramoto).
Os olhares dos turistas são atraídos especialmente para o Arco Triunfal, que enquadra a estátua de D. José I, na Praça do Comércio que foi desenhado pelo arquitecto Santos de Carvalho para comemorar a reconstrução da cidade depois do terramoto e concluído apenas em 1873.[inlisboa.com/BaixaChiado]
"



 

"Gateaux des Rois", a tradição nasceu na Baixa Pombalina ...

Confeitaria Nacional


Situada entre o Rossio e a Praça da Figueira a Confeitaria Nacional, um dos mais elegantes salões portugueses, foi inaugurada em 1829; na altura Lisboa era uma cidade diferente, sem carros, electricidade ou telefones - aliás," um dos primeiros telefones a ser instalado em Portugal foi entre a confeitaria e a fábrica. Na época, o país vivia a luta entre D. Miguel e D. Pedro, mas a Confeitaria Nacional servia os dois partidos "com a mesma solicitude, adoçando a ambos as horas amargas e de triunfo", como se pode ler nas páginas da história da empresa.
Portugal contava então com apenas três milhões de habitantes. Poucos eram os que viajavam, e Baltazar Castanheiro era um deles. As suas viagens não foram, de todo, semelhantes às dos românticos diletantes característicos do século XIX. Pelo contrário, foram bastante frutuosas, pois conseguiu trazer de Madrid e Paris vários confeiteiros, entre eles o célebre mestre Gregório, que "durante anos fez delirar a freguesia da casa com o fabrico de vários mimos".
A descrição dos doces e das especialidades da casa era de deixar água na boca: "sorvetes de várias espécies, carapinhadas, soda nevada e a deliciosa bebida gelada a que os espanhóis chamam 'chufas'". A época natalícia era pautada por uma exposição especial "de doces, de grandes construções de açúcar e amêndoa, de espantosos bolos de ovos dentre os quais se destacava uma infinidade de estonteantes e bojudas lampreias, de prodigiosas fantasias enfeitadas e de tudo quanto de mais delicado e original a arte dos doces podia então produzir". Entre estas originalidades da exposição, encontrava-se o "Gateaux des Rois", bolo já conhecido em França por volta de 1311 e considerado indispensável nas festas de Ano Novo e dos Reis Magos na corte de Luís XIV. Com a receita francesa que o jovem empresário nos fez chegar, o Bolo Rei tornou-se tradição também em Portugal. A Confeitaria Nacional orgulha-se de fabricar ainda hoje um Bolo-Rei que segue a receita original, mantendo a fava e o brinde.
Conta-se que chegou a ser proposta, numa sessão parlamentar no início de 1911, a alteração do nome de bolo rei para bolo república. Seja como for, é com orgulho que a Confeitaria Nacional relembra a introdução do famoso bolo em Portugal, como é também com orgulho que ostenta na fachada as medalhas com que foi premiada em grandes exposições internacionais da arte da confeitaria. Uma dessas medalhas foi ganha na Viena do tempo do Imperador Francisco José. Uma outra, onde aparecem as deusas do progresso, distinguiu a Confeitaria Nacional na grande exposição realizada, em Paris, no primeiro ano deste século."

domingo, outubro 12, 2003

 

NA BAIXA ESTÁ A ACONTECER ... BIENAL DE LISBOA







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Bienal de Lisboa

Para além do consumo

17 de Setembro a 02 de Novembro




 


 














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PARA ALÉM DO CONSUMO

"Que ideias e criações reflectem hoje as aspirações e necessidades dos consumidores?
Entendemos de facto as experiências que perfazem o consumo e o uso do design, do cinema, da música, da comida ou da arquitectura?
Reflectimos sobre as possibilidades e problemas que estas experiências nos colocam?
Como ir mais longe com a ideia de consumo?
Até que ponto é que designers e criativos integram estas questões na sua prática?
E os utilizadores? Que consciência têm destes tópicos?

A ExperimentaDesign 2003 produzirá algumas respostas a estas questões através de um vasto conjunto de realizações inéditas que incluem exposições, eventos, debates e outras intervenções em Lisboa.
"A partir desta edição, e tal como oficialmente assumido pela Câmara Municipal de Lisboa e pelo Ministério da Cultura, a ExperimentaDesign é a Bienal de Lisboa. Este estatuto reconhece a relevância da experimenta na vida cultural da capital portuguesa, enquanto plataforma internacional de discussão e espaço de novos valores criativos.

Nesse sentido, a ExperimentaDesign - Bienal de Lisboa passa a incluir-se no conjunto de acontecimentos internacionais cuja dinâmica está intrinsecamente ligada cidade que os acolhe, imagem da Bienal de Veneza, Bienal de São Paulo, Documenta Kassel, do Festival de Berlim ou do Sonar de Barcelona.

A ExperimentaDesign é uma bienal portuguesa de âmbito internacional sobre design, criação artística e cultura de projecto. O seu principal objectivo passa por construir em Lisboa uma plataforma internacional de reflexão em torno de uma noção ampla de design.

A Bienal de Lisboa propõe-se também estimular a capacidade criativa, crítica e produtiva portuguesa, promover a formação de novos públicos e enriquecer a ligação entre economia e cultura.

A Bienal explora a ideia da cultura do design nas práticas criativas contemporâneas e inclui diversas áreas: ambient design, arquitectura, artes visuais, cinema, design gráfico, design industrial, design de moda, fotografia, multimédia, música, vídeo e web design.
A primeira edição da ExperimentaDesign aconteceu em 1999 e explorou as intersecções disciplinares do e no design. Em 2001, o conjunto de eventos propostos permitiu alargar as áreas disciplinares e reflectir sobre o tema Modus Operandi. A terceira edição decorre entre 17 de Setembro e 2 de Novembro de 2003 e abrange a realização de cerca de 15 eventos em Lisboa, com diferentes formatos, de conferências e projecções a exposições e intervenções urbanas."


EM DESTAQUE

13.10.2003 Segunda-Feira
Segunda-feira, dia 13, é o dia de projecções contínuas da dupla nova-iorquina KnoWear, na sequência da conferência apresentada na quinta-feira anterior. Inspirados pela forma como o design influencia a cultura, trabalharam para marcas como a Chanel, Nike ou Mastercard.... A partir das 19:00.



14.10.2003 Terça-Feira
As projecções de terça-feira, dia 14, são dedicadas ao Futuro Uso da Arquitectura, pela mão da dupla Diller+Scofidio. Os arquitectos Elizabeth Diller e Ricardo Scofidio, recentemente expostos no MOMA, têm trabalhado com diferentes media usando paisagens urbanas e artes visuais para desvendar normais sociais que operam de forma invisível, comandando e definindo as relações quotidianas.


15.10.2003 Quarta-Feira
Na quarta-feira, dia 15, o serão no Lounging Space está por conta do RESFEST, o famoso festival itinerante de cinema digital de São Francisco, que desta feita exibirá os filmes produzidos por designers gráficos e multimedia no ano de 2002. Imprescindível actualização da cultura visual contemporânea, a partir das 22:00.

in, http://www.experimentadesign.pt/exdpt/index.htm



 

PORQUE TARDOU TANTO UM PLANO PARA A BAIXA? PORQUE SE OUSA, AGORA, CRITICAR DE DEMAGÓGICA A INICIATIVA DE QUEM TEVE A CORAGEM DE O FAZER?

A política de muitas décadas do passado recente fez abater sobre a Baixa um verdadeiro terramoto - o do desfazer, desfigurar, adulterar o traçado pombalino.
Como afirmou a Arquitecta Maria Helena Ribeiro dos Santos muitas das reconstruções da Baixa são de um pombalino que nunca existiu; resultaram de uma acção casuística, feita no dia a dia, ao sabor dos interesses imediatos e particulares - “ que dizer (ou pensar) então quando se assiste à destruição, à demolição e vandalização, do nosso património original e único no mundo, com os tais duzentos ou mesmo duzentos e cinquenta anos, porque se aliciam as pessoas com o brilho da "modernidade" e a "eficiência" da construção nova? Quando se retiram azulejos, deixando os pedaços partidos dos rodapés pelo chão, quando se substituem cantarias e rebocos por réplicas novas, quando se tenta a todo o custo querer ver na Baixa o que já sabemos que lá não está, e não se consegue ver o que efectivamente aí existe!”
Independentemente da candidatura da Baixa Pombalina a Património Mundial, esse plano de recuperação e reabilitação vai avançar mesmo contra as críticas demagógicas de quem já teve oportunidade de o fazer. No artigo “UM PLANO PARA A BAIXA”, publicado na Revista PEDRA & CAL [n.º 11, pp.21 a 23], a Arquitecta Maria Helena Ribeiro dos Santos aponta aquelas que deverão ser, em meu entender, as linhas orientadores do projecto:
1. definir os critérios genéricos de intervenção, fundamentados em investigações históricas e técnicas criteriosas;
2. criar um Gabinete para a Baixa Pombalina que faça o levantamento exaustivo de todos os problemas, patologias, aspectos irregulares e, promova a intervenção - [o Gabinete da Baixa-Chiado pode se reestruturado para assumir estas funções];
3. valorizar o enorme potencial de atracção que exerce uma zona antiga cuidada, corrigindo eventuais distorções e problemas, defendendo valores culturais que pertencem a todos, viabilizando e favorecendo a reabilitação.

 

BAIXA POMBALINA - CANDIDATA A PATRIMÓNIO MUNDIAL EM 2005







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Candidatura a Património Mundial em 2005


Câmara de
Lisboa quer apresentar projecto à UNESCO para 2005


 









Vereadora de Reabilitação Urbana - Eduarda Napoleão:


"Se a candidatura puder ser apresentada em 2005, altura em que faz 250 sobre o terramoto que destruiu Lisboa [em 1755], e se for concretizada em 2008, ano em que se comemoram os 250 anos do início da reconstrução da cidade, já é muito bom".

"O reconhecimento internacional de que Lisboa é única no Mundo, uma obra-prima do génio da criatividade humana e que transmite um critério urbano excepcional".

"Criámos o Gabinete da Baixa-Chiado e já se iniciou a criação do livrete do edifício que é como um Bilhete de Identidade que fica para o futuro. Tem várias tipologias como a história da arte do imóvel, a sua ocupação, as áreas, a propriedade e o património".


SIDÓNIO PARDAL [UTL]:

"O importante é equacionar o valor arquitectónico do edificado, valor esse que deve ser corroborado através de uma política de estratégia para a estabilização da Baixa. Há que ver também como é que se pode financiar isso".

"Ineditismo e singularidade desta operação urbanística".

"A sua classificação como Património Mundial será uma ajuda, se for consequente na criação e operacionalização de medidas que assegurem o restauro e a conservação pondo fim às causas da actual decadência que quase se pode observar à vista desarmada".





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