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sábado, outubro 25, 2003
"Quem souber ganhar a Baixa, ganha Lisboa!"
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A Baixa é uma área extensa da cidade, só aparentemente uniforme ou monótona: plena de diversidades, possui as mais diferenciadas funções e está enriquecida arquitectonicamente por um quarto de milénio de evolução (e não esqueçamos que levou 100 anos a ser reerguida!). Pensemos, só como exemplos, em contrastes tão fortes como entre as praças do Comércio e da Figueira, ou entre as do Município e do Campo das Cebolas (contraste social, funcional, espacial, estético); ou nas diferenças entre a imagem urbana de ruas como a do Ouro, do Comércio, ou do Carmo, por um lado, e dos Fanqueiros, dos Sapateiros ou de São Paulo, por ououtro. E, quando entramos a falar do edificado, é um mundo de obras contrastantes e notáveis: desde a ainda dominante tipologia pombalina (mas com quantos equívocos consentidos?) à Arte Nova, desde o neoclássico à Art Deco e ao moderno - e aqui teremos de falar de prédios de habitação, mas também de espaços de escritórios, de armazéns, de lojas, de monumentos, de igrejas e teatros, de saguões, de largos, de claustros!
Sem um programa de intervenção forte, com objectivos determinados e uma consistência de propósitos - programa que terá de ser em primeiro lugar paciente e cuidadosamente preparado (e há estudos, já antigos ou recentes, mas sempre sérios e aprofundados, sobre a Baixa, repetimos, dos vários pontos de vista - funcional, tecnológico, construtivo, histórico, tipológico, etc., que permanecem ignorados); sem uma preparação prévia (de meios e de sensibilização dos utentes), sem um investimento calculado (para atrair certas populações e funções) e sem um faseamento delicada e estrategicamente urdido - iremos, como actualmente sucede, perdendo a Baixa a pouco e pouco.
Ao contrário,
quem souber ganhar a Baixa, ganha Lisboa! " [Texto de José Manuel Fernandes, Expresso, 24 Marco 2001]
sexta-feira, outubro 24, 2003
ARQUEOLOGIA NA BAIXA [1] – " terra sigillata” na Rua dos Douradores / Rua de S. Nicolau
Uma escavação arqueológica realizada em 1997/98 pelo
Serviço de Arqueologia do Museu da Cidade recolheu alguns artefactos de “
terra sigillata” em estado muito fragmentado, nesta zona da Baixa de Lisboa.
Os arqueólogos
Eurico de Sepúlveda, Nuno Gomes e Rodrigo Banha da Silva seleccionaram estes materiais para publicação [
Intervenção arqueológica urbana na Rua dos Douradores/Rua de S. Nicolau (Lisboa), 1: a terra sigillata] “por duas razões: por um lado, por fornecer indicações cronológicas importantes para a definição da cronologia dos contextos; por outro, por ser mais um contributo à recente compulsão dos exemplares desta classe cerâmica recolhidos em escavações na cidade de Lisboa (Sepúlveda et al., 2002; Pereira, 2001; Gomes, 2002), facultando aos investigadores mais uma amostragem para a formação de um enquadramento geral”.
Os resultados obtidos foram cruzados com as outras intervenções na área da Baixa.
Hoje, A Baixa do Porto vai a Lisboa
Produções Zebra apresenta
"Curtas na Baixa"
Retrato I (Via catarina); Retrato II (Teresa)
Realizado por Mário Nogueira e José Roseira
O Som e a Fúria apresenta
"Mercado do Bulhão"Filme de Renata Sancho
Culturporto, Associação de Produção Cultural
Jardim de Inverno
Teatro Municipal São Luiz
Rua António Maria Cardoso
Das 18h30 às 20h00
Dia-a-dia na Bienal de Lisboa - PHOTO REPORT
"Sexta-feira, 24, é dia da conferência dedicada ao Futuro Uso da Arquitectura, pela mão do arquitecto francês François Roche, cujo trabalho utilizada as novas tecnologias para renovar as formas e os códigos da arquitectura contemporânea.
Crítico da sociedade contemporânea, defensor das questões ambientais,
Roche inicia a sua intervenção às 22:00" [do Programa].
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Planta
de reconstrução de Lisboa. Aprovada em 1758.
Litografia
colorida publicada em Plantas Topográficas de Lisboa de A. Vieira da Silva.
Museu da
Cidade.

Projecto
das frontarias dos prédios a construir na Rua Augusta.
Desenho a tinta da China. Ass. por Eugénio dos Santos e Carvalho.
Do Cartulário com 70 plantas para a reconstrução de Lisboa. Arquivo Municipal
de Lisboa.
Os prédios foram construídos sobre uma estrutura de madeira, resistente e flexível - a gaiola - que permitia que oscilassem com os tremores de terra, sem se desmoronarem .
22.10.2003 - Quarta-feira
Baixa de Lisboa
10:00 - 19:00
INTERVENÇÕES DE ARTISTAS E COMISSÁRIOS EM MONTRAS DA BAIXA DE LISBOA
“Ao levar as propostas de seis artistas portugueses e três designers franceses para o interior de montras e espaços comerciais, o evento Showindows concretiza uma das intervenções da Bienal de Lisboa que mais foge aos contextos tradicionais da exibição cultural e que mais se imiscui no contexto do espaço público do consumo.
É seguramente aquela proposta que vai mais longe no que toca à interacção com o olhar público e, mais especificamente, com o olhar consumista.
As montras são um dos mais eficazes interfaces da lógica de consumo e a zona onde se realiza o primeiro contacto entre quem vende e quem compra. Funcionam como um território de sedução ficcionado onde a imagem, a estética e a surpresa se conjugam na disputa da atenção, um dos bens socialmente mais cobiçados nas sociedades contemporâneas. São janelas onde se olha para dentro e não para fora, onde se convida a entrar e não a sair, onde a lógica do consumo se constrói e desconstrói numa paisagem artificial tendencialmente dominada pelas linguagens do marketing e da publicidade.
Levar até esse universo as gramáticas da arte e do design através de projectos específicos que questionam a banalidade e, mesmo, a violência do ritmo consumista actual, convidam o consumidor habitual a uma reflexão invulgar.
Pensados em função da identidade e carácter de cada sítio e entidade, os diferentes projectos dos artistas e designers convidados tecem comentários irónicos ou interagem criticamente com os conteúdos que as montras originalmente oferecem para consumo.
Porque as circunstâncias assim o ditam, raramente estas instalações assumirão o carácter de obras de arte autónomas que falam só sobre o artista ou sobre os próprios mecanismos de legitimação artística. É o próprio consumo da arte que se têm que relocalizar quando invade os micro-territórios do comércio puro e duro.
Colher o transeunte de surpresa para o fazer reflectir, durante um momento que seja, sobre os mecanismos e as expectativas do consumo - dos bens transaccionáveis, como da arte efémera - é o desafio que Showindows se propõe realizar.” [do Programa]
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Participação da Blogosfera no debate
Diz
"PLANETA-REBOQUE"[21. Out.]:
“Aproveito para tecer algumas considerações sobre a anunciada pela CML (e, se conheço alguma coisa da CML e o seu presidente, será apenas anúncio) intervenção na Baixa pombalina.
Para mim a reabilitação assemelha-se a um restaurante de grande cuisine française de 3 estrelas. O arquitecto responsável é o cozinheiro-chefe. O historiador, o encarregado pela verificação da autenticidade das receitas. O sociólogo e as assistentes sociais, o chefe de mesa e os empregados de mesa. O engenheiro, o responsável pelas compras, encarregue da boa qualidade dos alimentos. O político é o dono do restaurante. Finalmente, a população são os clientes. Logo, se o dono do restaurante conseguir uma cozinha respeitadora dos cânones tradicionais, feita com os melhores ingredientes, servida de acordo com as regras, terá o restaurante cheio. Certo? Bom... falta o pequeno pormenor de saber se a clientela alvo gosta daquele tipo de gastronomia e se os preços praticados estarão de acordo com a bolsa dos previsíveis clientes.
O mesmo se passa com a reabilitação. Não chega os políticos e os responsáveis camarários anunciarem um plano de reabilitação da Baixa, servido pelo respeito pela traça original e pelas técnicas construtivas. É fundamental saber porque é que se vai reconstruir, reabilitar, o que implica saber porque é que é preciso reabilitar, ou seja, quais foram as razões que levaram ao abandono da pequena reparação que tornaria desnecessária as, agora necessárias, obras de fundo. É fundamental saber como se vai quebrar o ciclo grande investimento-abandono progressivo-necessidade de novo grande investimento. Numa palavra, saber como se vai possibilitar a auto-sustentabilidade do sítio. Esse é o princípio e não o fim, como é exemplo paradigmático o do edifício do parque da cidade no Porto.
A reabilitação da Baixa só fará sentido se, antes, se souber a quem ela é dirigida - a que empreendedores / investidores, a que moradores, a que comerciantes. Porque de milhões deitados ao lixo, de frustrações múltiplas, de oportunidades perdidas já estão os Bairros Históricos cheios.”
+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Relativamente ao publicado, a "baixapombalina" discorda da forma como a questão está colocada. Com efeito, contrariamente ao dito no mail considero que a reabilitação da Baixa lisboeta tem pertinência e faz sentido em si. Seria, aliás, muito bom que a metáfora que utilizou da “cuisine française” com um arquitecto, um historiador, um engenheiro, um político e um sociólogo em sintonia e de acordo com um plano cientificamente organizado estivesse em marcha.
De facto, considero que a questão da clientela é uma vertente importante, mas não decisiva.
Reestruturar a Baixa Pombalina passa, obviamente, pelos interesses de empreendedores/investidores, moradores e comerciantes, mas é um acto que se justifica a ele mesmo, por se tratar de um património mundial susceptível de se perder, caso não haja uma intervenção séria.
A
baixapombalina considerou, por sugestão de alguns leitores, que o debate deverá alargar-se também à
análise dos “níveis freáticos” das políticas de intervenção na Baixa Pombalina,
dos programas de recuperação e reabilitação que a CML vai implementar,
tendo em vista alicerçar em bases seguras a
Candidatura da Baixa a Património Mundial [“Para
Eduarda Napoleão, vereadora do licenciamento urbanístico e reabilitação urbana da Câmara de Lisboa,
é impensável que a UNESCO não tenha em conta a importância simbólica e histórica desta zona”] .
De facto, o terramoto provocado pelas políticas das últimas décadas está a destruír um
“património construído sem paralelo no mundo” que urge recuperar por imperativo histórico, como afirmou a Arquitecta
Maria Helena Ribeiro dos Santos [artigo “Um Plano para a Baixa”, na revista Pedra & Cal, n.º 11, pp.21 a 23] - “
se o Marquês conseguiu encontrar um Plano de Renovação para a Cidade baixa, porque razão não conseguimos nós até hoje definir um Plano de Conservação e Restauro para a Baixa Pombalina?” é que, “
se tal vier a acontecer, será sinal de que se arregaçaram as mangas, houve muito trabalho e , como o Marquês gostaria, não esmoreceram ânimos perante as dificuldades”[
Appio Sottomayor n’A Capital de 13.10.2003, p.5].
A
baixapombaliana recebeu do cibernauta responsável pelo blog
planeta-reboque um
mail que, pela sua
actualidade, pertinência e rigor informativo tomou a liberdade de transcrever na integra:
“Tenho lido com frequência os seus artigos sobre a Baixa, desde que descobri o seu blog. Em relação ao postado hoje relativo à polémica dos lençóis freáticos deixe-me acrescentar ao lá dito que, no decurso dos trabalhos de remodelação do quase-quarteirão do BCP, já se tinha verificado a inverdade dos receios antigos (dos quais penso o Arq. Ribeiro Telles foi um dos propaladores) de que, a baixar o nível freático da Baixa, as estacas secariam e, consequentemente, viriam a apodrecer retirando capacidade de carga às fundações dos edifícios. De facto, parte das estacas já estavam acima do nível freático, umas apodrecidas, outras não, e nada se tinha alterado no comportamento daqueles. Penso, aliás, que será baseado nessas e noutras observações que o Eng.Mário Lopes concluiu o que cita.
Muito mais grave foi a descaracterização estrutural que a maior parte dos edifícios pombalinos sofreram, com a demolição das paredes interiores ao nível do rés-do-chão e com o aumento de pisos. Aliás esse vício continua no presente, há poucos anos tive a oportunidade de visitar uma cave de um pronto-a-comer da rua Augusta em que, calmamente, tinham retirado parte da parede meã com o edifício contíguo para junção dos dois espaços. Isso é que é preocupante quando se sabe o risco sísmico que o nosso país tem! E assim se vão as "nossas" certezas quanto à fiabilidade de comportamento dos edifícios da baixa com estrutura em gaiola anti-sísmica...
Voltando aos problemas de subsolo. Uma das zonas mais periclitantes em termos de instabilidade dos subsolos - e sobre a qual não vejo muitas referências, provavelmente porque o caso não estará muito divulgado e porque os acidentes que têm ocorrido são de muito pequena expressão (por enquanto...) é a da encosta de Alfama. Com efeito, a profusão de nascentes e a ocorrência de vazamentos no sistema municipal de esgotos têm vindo a arrastar os finos dos subsolos criando (em alguns casos verificados in loco, na maioria pressupondo-se) verdadeiras grutas subterrâneas cujos tectos e paredes a prazo cederão, arrastando edifícios e ruas.
É claro que às notícias só interessa o pós-desastre ou a iminência de um escândalo. Provavelmente a blogosfera será o local ideal para a discussão destes problemas sem o alarido dos media.
Fica a chamada de atenção.”
Concordo com este seu desafio e, desde já, fica lançado o
debate
Estou também em absoluto acordo quando se refere ao
problema da descaracterização dos edifícios pombalinos. De facto,
as estratégias de intervenção no domínio da reabilitação estrutural nos edifícios da Baixa Pombalina pouco diferem das utilizadas nos edifícios novos; são, por isso,
fortemente invasivas não só
da reabilitação sísmica mas também
da manutenção dos níveis freáticos.
O betão armado altera o conceito original da construção, provoca um
aumento do peso e possivelmente
a necessidade de reforço das fundações, como muito bem afirmou o Engenheiro V. Cóias e Silva no artigo [“Salvaguarda da Baixa Pombalina: Reabilitação estrutural usando métodos pouco intrusivos”] publicado no n.º 11 da
Revista Pedra & Cal.
Um artigo de
ALFACE VOADADORA, sobre os
lençóis freáticos da Baixa Pombalina
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“De vez em quando, a propósito de alguma coisa ou de coisa nenhuma, lá vem a velha história de que um dia vai acontecer uma grande desgraça à zona da Baixa.
O que corre é que a reconstrução pombalina, começada logo após o terramoto, em 1757, teria sido feita sobre estacas de madeira e plataformas. Os prédios estariam assentes nessas estruturas, por onde passaria água – ou rios, ou lençóis freáticos, ou ainda o refluxo das marés. Quando se pensou em construir o metropolitano naquela zona, em 1958, logo os "técnicos" de plantão nos cafés disseram que era impossível fazê-lo dentro da água e do lodo.
Quando se reconstruiu o Teatro de D. Maria, após o incêndio de 1964, houve a mesma conversa em relação à dificuldade de fazer novas fundações "dentro de água".
Actualmente, o pânico é que os novos prédios construídos na Avenida da Liberdade, com as suas caves de vários andares, estejam a impedir a circulação da água, deixando as estacas da zona da Baixa a seco. As tais estacas precisariam de estar submersas em água para não entrarem em contacto com o ar e apodrecer.
O arquitecto Nicolau, que trabalha no Departamento Municipal de Planeamento e Gestão Urbanística (DMGPU) e é um conhecedor da cidade, confirma e contradiz esta simplicidade. Por um lado, "o subsolo é uma massa dinâmica, que está sempre em movimento". As terras movem-se, ajustam-se às cargas, escorregam. São movimentos muito lentos e absolutamente normais, aos quais os edifícios se vão adaptando. Mas, por outro lado, o arquitecto tem a impressão de que muitos bancos na zona da Baixa (e salienta que não se está a referir especificamente ao do BNU) terão construído grandes cofres subterrâneos, alguns deles quase em segredo – ou pelo menos sem as necessárias inspecções municipais. Esses volumes pesados, enterrados em terreno móvel, desequilibram as estruturas dos edifícios e podem provocar problemas localizados. O arquitecto considera impossível a hipótese de um afundamento de grandes proporções, a não ser em caso de outra grande catástrofe natural.
O sistema usado na reconstrução da Baixa já era utilizado anteriormente, não se sabe desde quando, e continuou a ser praticado até à "revolução" do cimento armado, já neste século. Foi estudado com todos os pormenores pelo engenheiro Brazão Farinha, do Metro, que publicou os resultados nos "Cadernos do Metropolitano - uma interessante colecção de livros que, infelizmente, só podem ser obtidos directamente da empresa.
Consiste esse sistema, essencialmente, em formar um apoio de estacas de madeira, enterradas na vertical por baixo das paredes-mestras, para que estas não deslizem com os movimentos do terreno. As estacas de pinho, redondas, com 15cm de diâmetro e cerca de um metro e meio de comprimento, eram batidas no solo por meio de um engenho chamado bugio. (O trabalho, muito violento, deu origem ao termo "mandar bugiar") Nas pontas que ficam fora da terra eram pregadas travessas de pinho, onde encaixavam outras travessas, formando uma espécie de grade. Essa estrutura é cheia com massa e sobre ela levanta-se a parede/fundação de pedra e argamassa, que começa a cerca de três metros de profundidade.
Portanto há madeira, mas madeira enterrada em alvernaria e rodeada de terra. Os edifícios não estão "suspensos" sobre uma estrutura mergulhada em água ou lama. As terras das fundações são aterros mistos e areias de aluvião – não tão firmes como uma rocha, mas longe dos estado líquido ou mesmo pastoso. Esta "cama" de madeira era uma maneira, pensava-se, de absorver as vibrações do solo, em caso de abalo sísmico.
Segundo Brazão Farinha, o estado das madeiras postas a descoberto nas escavações do Metro era tão bom que se sentia o cheiro do pinho fresco!
Quanto aos possíveis rios, ou ribeiras, não existem há centenas de anos. Corria a ribeira de S. Sebastião sob a Rua das Portas de Santo Antão, muito antes de esta rua existir; e a ribeira de Arroios passava sob a actual Avenida Almirante Reis e Martim Moniz, para se encontrar com a primeira por alturas do cruzamento da Rua da Prata com a de Santa Justa – isto há muitos terramotos atrás, em tempos pré-históricos. Pelos achados arqueológicos, calcula-se que a ribeira de Arroios existia na época romana. Mas o solo estava então uns cinco metros acima do nível do Tejo )hoje está a onze metros) o que impossibilita qualquer hipótese de navegação. Documentos mostram que terá sido atolada no século XV.
Há, de facto, águas freáticas (uma espécie de lençol de humidade) que foram localizadas no largo D. João da Câmara, no Rossio e e na Praça da Figueira. Os terrenos de aluvião, por onde essas águas deslizam muito lentamente, têm uma espessura de cerca de 30 metros. Mas estes terrenos estão suficientemente consolidados para que não haja qualquer fluxo ou refluxo proveniente das marés do Tejo.
As fundações dos edificios e os túneis do Metro não chegam a tais profundidades, pelo que o escoamento dessas águas se faz por baixo das estruturas de cimento impermeáveis.
Há um estudo prestes a ser feito, que completará as observações dos engenheiros do Metro; trata-se do levantamento do subsolo junto aos Cais das Colunas. A ideia de fazer um túnel rodoviário, a atravessar a frente ribeirinha na Praça do Comércio, levantou a hipótese de essa "parede" de cimento bloquear as águas mais superficiais do lençol freático. (O perigo não se coloca para o túnel do Metro na mesma direcção, pois foi construído a muito maior profundidade.)
Por isso vai-se fazer uma prospecção do subsolo na zona. O estudo pode concluir que o túnel trava esse lento movimento das águas, e que portanto terão que ser escoadas de alguma forma. Mas, quaisquer que sejam as conclusões, não irão contrariar os factos, comprovados, de que não há rios sob Baixa, nem os prédios foram construídos sobre estacas subaquáticas, nem há movimentos significativos no subsolo.
Que perdoem os técnicos voluntários e os pessimistas catastróficos, mas a Baixa não está a afundar-se.”
In, Alface Voadora de 3 de Abril de 1999
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“O Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea, situado no centro histórico de Lisboa, reúne uma vasta colecção de arte portuguesa que se inicia por volta de 1850 e se prolonga até à actualidade. Através desta colecção é possível observar e estudar algumas das obras mais significativas dos artistas nacionais, bem como a diversidade dos movimentos e práticas artísticas desenvolvidas no curso de um século e meio.
O Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea durante meio século foi o único museu dedicado à arte contemporânea e um dos primeiros, em todo o mundo, a ser fundado com esse propósito, em 1911.”
in,
Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea
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